Tomando como ponto de situação o tema do último texto, pergunto-me:
Existirá melhor altura para recomeçar, do que na passagem de ano?
A resposta é bastante simples: sim, pelo simples facto de as duas situações não estarem diretamente interligadas. Isto até pode soar como um cliché, mas é um facto: a melhor altura não está marcada no calendário nem em nenhuma agenda, está sim dentro de cada um de nós, e qualquer momento deve ser digno de se tornar no marco de um recomeço, de um grito vindo da alma, em prol da nossa felicidade. No entanto, se servir de incentivo, a chegada de um novo ano parece-me um excelente ponto de partida.
Assim sendo, mais um ano se finda, e mais uma vez surgirão as reflexões habituais nesta época. Reavaliamos as nossas ações, e querendo ou não, de certa forma planeamos o ano que se avizinha, estabelecendo novas metas ou até repetindo metas anteriores que outrora não se cumpriram.
Atualmente, a frase "ano novo, vida nova" é muitas vezes proferida como um simples cliché, algo meramente dito "da boca para fora", sem haver uma avaliação das consequências nas nossas atitudes, que possam vir a tornar esta frase numa realidade. Isto porque proferimos "ano novo, vida nova", mas acabamos por agir segundo a frase "ano novo, vida velha". É necessário entender que a vida não se vai transformar de um ano para o outro só por meio de ações supersticiosas ou pensamentos que surgem nas 12 badaladas de dia 31. A vida pode mudar, mas essa mudança só se verificará quando cada um de nós arriscar em mudar alguma coisa na própria vida. Não depende do que vem do exterior, mas sim de quem escolhemos ser.
Primeiramente, há-que descartar qualquer género de atitudes e pensamentos negativos que nos possam travar, que nos possam impedir de sermos quem queremos ser e de fazermos o que realmente nos faz felizes. É necessário encarar os erros como formas de aprendizagem e amadurecimento e pensar neles como um ensinamento para possíveis obstáculos e desafios que se possam avizinhar. Posteriormente, é apenas improvisar. Mas não baixar os braços, nunca. É normal que alguns desejos não se realizem, que alguns sonhos fiquem pelo meio do caminho, mas nunca podemos deixar de ambicionar, de sonhar. E quando a realidade for equivalente ou até melhor que algum dos nossos sonhos, ou quando conseguirmos trocar os sonhos pela realidade, é sinal que o caminho é o correto. Podemos até abrir mão de alguns sonhos, mas nunca deixemos de sonhar, alimenta-nos a alma. Com o final de um ano apercebemo-nos também que muitas pessoas novas entraram na nossa vida e outras tantas se foram embora. No entanto, quem é verdadeiro, permanece, independentemente de tudo. Arranjam uma maneira, seja ela qual for. Quem não arranja uma maneira, arranja uma desculpa, vai embora. E o que temos de pensar é que, embora doa, quem se importa realmente, fica, sem desculpas, sem cobrar nada, sem falsos juramentos nem promessas quebradas.
Um ano conta a história de uma panóplia de variados sentimentos e emoções. Dos risos às lágrimas, das discussões aos abraços, dos começos aos fins, da raiva ao amor, do orgulho ao perdão.
Num ano muitos sentimentos podem nem ter sido vividos, enquanto que outros, foram vividos da forma mais intensa possível.
Se no ano que passou, ficaram objetivos por cumprir, agora é o momento certo para abrir as janelas da mente e do coração para o futuro.
Num ano conquistámos, cumprimos metas, realizámos planos, por muito que por vezes não nos lembremos que até as coisas mais simples podem ser consideradas uma conquista. Derrubámos muros e construímos pontes. Passámos os obstáculos e imprevistos, e aqui estamos. Cercámos as tristezas, abrimos os braços e avançámos, de sorriso nos lábios. Achamos que uma força superior nos guia, mas a caminhada é nossa e só nossa.
A cada ano, a cada mês, semana, dia, hora, minuto, segundo que passa, estamos a completar mais uma etapa da nossa existência, a escrever mais um capítulo da nossa história.
E é por isso que temos de agir, em prol de nunca nos passar pela mente o pensamento de que devíamos ter escrito uma das páginas ou um dos capítulos de forma diferente, ou que devíamos ter feito mais por nós do que o que fizemos.
Então sejamos clichés como todo o ser humano é, mesmo sem o admitir, e vamos aproveitar o final deste ano para encerrar capítulos, e (re)começar melhor que nunca.
Um brinde a novos começos.
A novas pessoas e às pessoas que ficaram do nosso lado.
A novas alegrias.
A novas conquistas.
A novos momentos.
A novos desafios.
A quem se atreve a desafiar a própria vida.
A quem ainda não o fez, mas que decerto o fará, basta que acreditem.
Um brinde a isso, um brinde aos sorrisos, às lágrimas, às gargalhadas.
Um brinde à vida.
Um brinde a todos nós.